Esta não é a sua vida

Esta é uma produção do cineasta brasileiro, Jorge Furtado, uma recomendação do Professor Valdir Boffetti de telejornalismo da Universidade Metodista.

Documentário de 1991, sobre a vida de Noeli Joner Cavalheiro. Noeli mora num subúrbio de Porto Alegre, é dona de casa e tem dois filhos. Nasceu numa cidade do interior, foi pra capital, trabalhou numa padaria, casou. Noeli  tem 1 m e 58 cm, pesa 54 kg. É uma pessoa comum. Mas não existem pessoas comuns.

Bem vindo 7º Semestre!

Pedal Urbano – Mobilidade em Duas Rodas

Esta é um documentário produzido pelo meu grupo do 6º Semestre de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

 
Sinopse:
Em São Paulo, uma cidade dominada pelos carros, a locomoção se torna cada vez mais caótica e disfuncional. Neste documentário são apresentadas as diversas maneiras de se utilizar a bicicleta como meio alternativo de transporte e como “antídoto” para o stress diário. Projetada para o lazer e para atividades esportivas, a bicicleta terá lugar cativo nas “conscientes” cidades do futuro.

 

 

Unidos pela Música

Por Carolina Mendes

Eis que surge na década de 60, no auge das mobilizações e movimentos de contestação social uma nova era de jovens, cheios do espírito libertário, voltado para o antissocial aos olhos da massa conservadora, onde a cena underground encontra espaço para expressar sua arte resguardada, relacionando-se á produções musicais, artes plásticas, literatura ou qualquer forma de expressão artística da cultura urbana contemporânea.

Esta transformação de comportamento e atitudes retrata a realidade cotidiana da era Hippie que despontava na América Latina, na Europa e principalmente nos EUA, em consequência de um sentimento generalizado por grande parte dos jovens, principalmente da sociedade americana, que se encontravam afligidos após a Guerra do Vietnã (1961 a 1974). De 2.300.000 soldados que serviram o exército, 58.203 morreram e 303.635 voltaram feridos.

As pessoas buscavam por novos valores, buscando refugio de atitudes políticas pós guerra, caracterizados pela não violência e otimismo. “O rock era o canal que expressava esta ideologia, não só ‘Paz e Amor’, mas principalmente o sonho de uma nova sociedade livre, pacífica e igualitária, baseada em valores que ultrapassavam o velho sonho americano ‘material’ ”, explica Thomas Gruetzmacher, professor de produção de música eletrônica da Universidade Anhembi Morumbi.

Com o passar dos anos, esta busca incessante pelo prazer da música só tem aumentado ainda mais, subdividindo-se em “tribos” que raramente se misturam. A dança, no entanto, tem sido uma aliada dos jovens que exercitam o corpo e a alma de uma só vez, transmitindo estímulos positivos ao corpo humano.

Onde tudo começou

O marco histórico do movimento da contra cultura mais influente de todos os tempos foi concretizado com a realização do Festival de Woodstock, um grande festival ocorrido de 15 a 18 de agosto na cidade de Bethel, no Estado de Nova Iorque, em 1969. Grandes artistas foram convidados á participar desta crítica social, que consequentemente expandiu seu espaço na mídia, lançando modismos para época.

“Foi um momento de amplificação pioneira que exigiu uma nova engenharia, fato importante para história do áudio, onde muita coisa teve de ser improvisada, pois não eram esperados tantos espectadores”, explica Gruetzmacher. Originalmente, a pequena cidade estava predestinada a receber pouco mais de 186.000 pessoas, com o intuito de celebrar três dias de muita “Paz e Música”, mas as expectativas foram excedidas quando mais de 500.000 pessoas compareceram ao local, em busca de novas possibilidades.

Imensos congestionamentos provocaram o bloqueio da via expressa do Estado de Nova Iorque transformando eventualmente a área em estado de calamidade pública, devido às mínimas condições de saneamento, transporte, primeiros-socorros e um imprevisível temporal.

No mesmo ano em 6 de dezembro, os Rolling Stones apresentaram-se gratuitamente no “Altamont SpeedwayFree Festival”, na cidade de Altamont, no Estado da Califórnia, onde toda essa expectativa motivada pela geração Woodstock se perdeu e quatro pessoas foram mortas, num clima de violência nada pacífico. “John Lennon compôs nessa época a música ‘God’, em que repetia a frase ‘The dream is over’, e creio que não se referia apenas ao fim dos Beatles”, compara Gruetzmacher.

Enquanto isso no Brasil…

Enquanto essa febre dos festivais se concretizava por toda América Latina, o Brasil dava inicio ao primeiro Festival de Música Popular Brasileira, entre os anos de 1965 a 1985, revelando grandes compositores e interpretes como Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, entre outros.

O período ditatorial (1960 a 1970) marcado sob aspecto do autoritarismo e repressão em todos os departamentos culturais brasileiros era vigiado por meio de perseguição. Na música em especial surgem canções de cunho social e de protestos, que atingem grande parte da população.

Música grátis

Grandes ícones como Janis Joplin, The Band, Grateful Dead, Buddy Guy, entre outros artistas deram sequência a febre dos festivais nos anos 70 e realizaram o Festival Express, no qual atravessavam fronteiras até o Canadá apresentando mega concertos levando música de qualidade gratuitamente.

“O pensamento da contra cultura tinha o pensamento de que música deveria ser sempre de graça, já a sociedade de consumo atual comandada pelo establishment financeiro que domina o planeta engoliu esta iniciativa”, explica Gruetzmacher.

Isto porque esta geração contemporânea que chamamos de geração Y, acompanha este fluxo de informações que recebemos de geração em geração. Para a administradora Eline Kullock, especialista em estudos sobre a geração Y, e presidente do Grupo Foco, o efeito que o Woodstock causou na sociedade chamou muito a atenção porque até então não se tinha outras opções como hoje, que você lida com um leque de opções para se chamar a atenção de um jovem.

“Na realidade o que eles buscam é sempre o diferente pra criar sua identidade, se o jovem seguir tudo que já é estabelecido ele não estará criando uma personalidade própria, então tudo que for do gênero diferente ele vai se identificar e vai usar de alternativas”, explica Kullock, e completa, “então você não vai ter uma única concentração em sertanejo, em funk, em samba ou qualquer que seja o estilo musical, surgiu um gênero novo, que venha pra mostrar uma coisa nova, pode cair nas graças dessa juventude que ta procurando uma coisa nova na qual se identificar”.

Tecnologia na palma da mão

Esta autoridade tecnológica influenciada pelo uso da internet é marcada por profundas transformações. Thomas explica que a vida virtual diante de uma tela de computador absorve muito tempo e energia do usuário, os contatos que antes tinham de ser pessoais agora são através da rede, jovens solitários no seu quarto vivem a individualidade ao extremo, e a música é reflexo disto. “O software midi (Musical Instrument Digital Interface), comanda sons com o mouse, não sabem do prazer de interagir com outros músicos e mais do que isto, com pessoas em geral, esta autossuficiência individualista e solitária tem consequências em todos os aspectos comportamentais, refletindo na maneira de conduzir a existência”.

Por outro lado, esta comunicação global através da web conseguiu atingir outro patamar antes inimaginável, hoje as pessoas partilham uma livre troca de idéias, informações, torrentes, P2P, upload e download de forma ágil. A busca pela liberdade de ser diferente, que a geração dos 60 e 70 idealizava em grupo, presencialmente, hoje pode ser praticada individualmente. Sendo, “Solitários, porém solidários”, brinca Gruetzmacher.

Essa geração Woodstock, é hoje pais e mães da geração Y, portanto, trazem influencias da contracultura, um movimento que não requer qualquer tipo de liderança, seja dos seus pais, ou do seu chefe. Deste modo educam seus filhos de maneira muito menos severa que seus antepassados, em uma hierarquia menos rígida, dando mais poder a seus filhos.

Kullock avalia este comportamento de independência de forma abusiva como impresumível, pois conduz as pessoas a se isolarem da sociedade, “A criança de hoje aprende com pares, elas não precisam mais de pai ou professor para aprender, isso dá a ela certa ação de “In Power”, uma sensação maior de poder”.

Não é a toa que a campanha do Obama “Yes I Can”, foi simplesmente baseada no conceito de dar poder as pessoas, dando a sensação de que no mundo globalizado se pode tudo. “Estes Baby Boomers (filhos da Segunda Guerra Mundial,que ocasionou em uma explosão populacional), dão a sensação de uma pirâmide invertida, onde os filhos têm maior influencia nos seus pais, decidindo locais onde querem ir, e se querem ir, ninguém quer ser velho no século 21, onde as não se vê mulheres de cabelo branco, a terceira idade passou a ser chamada de melhor idade, não se tem loja para terceira idade, o negócio é ser jovem”, afirma a administradora.

Ideais confundidos com o entretenimento

Burn in Noise

“A música hoje na vida de um jovem que recebe uma carga muito grande de informações ao mesmo tempo, faz com que ele se esqueça de seus ideais, que, às vezes, eles não sabem nem quais são”. No entanto, eles buscam pelo prazer imediato, encontrado nas festas. “Eles não aguentam esperar pelo prazer futuro, é uma coisa que pra ele vai ser muito importante agora”, afirma Kullock.

Por outro lado, para o organizador de grandes shows, Ricardo Dallal, da FreePass Entertainment, o jovem que vai a um show ou festival, não busca apenas o entretenimento instantâneo, ele busca entretenimento social, algo que dure após o show. “Eles saem de casa em busca de relações humanas reais, que começam desde o momento em que o show é anunciado, os fãs buscam contato com outros fãs, e após o termino eles continuam conectados através das novas tecnologias”.

Goa trance

Na década de 1980 surge um novo estilo, originário da Índia, semelhante ao hippie que atrai viajantes, buscadores espirituais e inúmeras pessoas ligadas a manifestações de contra cultura, munidos de conhecimento técnico de produções eletrônicas.

Esta sonoridade oriental era associada a mantras indianos, assimilando a harmonia com ambientes naturais e ao ar livre.  Remetendo a ideia de que o Goa Trance nada mais era do que a fusão do velho rock´n roll ás batidas hipnóticas da música eletrônica.

Geralmente eventos como este, hoje em dia, acontecem isolados do contexto urbano cotidiano, isto inclui inclusive a ausência de sinais de linhas celulares, permitindo a imersão profunda e desligamento das questões corriqueiras, principalmente ligados a problemas do dia-a-dia.

A profundidade da convivência é uma das características mais marcantes e presentes dentro dos festivais trance. “Há necessidades humanas para as quais apenas o contato humano profundo e de qualidade traz em si a possibilidade de cura”, explica Angélica Pinotti, especialista em terapia holística, que tende a abordar o problema a ser tratado como um todo, não apenas como uma visão especializada, sendo assim, acredita-se que os elementos emocional, mental, espiritual e físico de cada pessoa formam um único sistema.

Esta livre opção fica disponível de dia e de noite, permitindo a quebra de frequência, especialmente a ligada a compromissos com horários mecânicos, como o relógio, permitindo um exercício de manifestação do livre arbítrio.

Dessa forma, os mais experientes acolhem os neófilos (que vão à festa pela primeira vez) e o direcionam a conviverem em busca do bem estar, gerando estar mais harmônico o possível consigo, com o meio e com o ambiente, para que essa sua própria postura possa se reverter em benefício de si próprio, gerando um clima capaz de suportar experiências prazerosas e enriquecedoras, segundo relatos do público dos festivais.

Nasce então uma nova religiosidade, centrada na interação harmônica de cada um consigo, com o meio e com o outro, multifocal, considerando todos os níveis e dimensões do ser, sem sacerdotes, no qual o maior mestre é o corpo. Sendo assim, o ar representa o espírito; o fogo a mente; a água os sentimentos e a terra o corpo físico.

O Festival Trance é hoje um fenômeno de ocorrência e crescimento mundial, que move e desloca pessoas de localidades distintas para seu seio, quer seja de cidades, estados e até mesmo de países distintos onde ocorre. O calendário brasileiro presume que até o final do ano ocorra 9 festivais, que acontecem nas cidades de Rio Claro, Itu, Sarapuí – SP, Belo Horizonte e Andradas – MG, Porto Alegre – RS e Curitiba – PR.

Universo Paralello - 10 anos

A Earth Dance, por exemplo, realizada dia 2 de outubro, em Porto Alegre, é uma festa que acontece em vários países ao mesmo tempo, sendo que em determinado momento, por um arranjo previamente definido, em todos os lugares e países onde ela está ocorrendo, a mesma música é tocada, representando uma única manifestação do ser humano dentro do Planeta Terra.

É uma das poucas manifestações de vivência da espécie humana existente que une pessoas independente de sua origem relacionada a país, raça, credo ou qualquer outro tipo de classificação. Deste modo não apenas o deslocamento físico costuma ser grande, mas também a mobilização energética que envolve todo o ser. A sonoridade do trance vai profundamente ao campo da vibração, além da razão e da emoção.

“Meu primeiro festival foi desses pequenos feitos por amigos de amigos para reunir toda galera no reveillon de 2005/2006, daí na sequencia do carnaval de 2006 já fui para o Trance Formation próximo á Pirinópolis em Goiás, em dezembro do mesmo ano fui para meu primeiro ‘Universo Paralello’ e desde então nunca mais parei e não pretendo parar, já tenho uma lista de festivais que quero ir até 2013”, conta Soraia Massi, a agente de viajens, que a 6 anos frequenta festivais trance.

Praia, sombra e água fresca

Atualmente um dos maiores festivais trance do mundo, o Universo Paralello, acontece na Bahia, lá o público alternativo desfruta de uma gama de entretenimentos durante 8 dias com camping a beira mar, 7 dias de música distribuídos em 4 palcos, atividades artísticas e culturais promovidas pela equipe “Circulou”, que também conta com  atividades infantis monitoradas pela equipe “Circulinho”; terapias holísticas; feira mix, onde se encontra desde roupas á acessórios produzidos por artistas locais; lanchonetes; aspersões refrescantes na pista principal; atendimento médico 24hs e chuveiros com água tratada.

Além dos serviços pagos oferecidos à parte como o estacionamento, transporte da portaria ao camping, overland (serviço de camping especializado), bares e atendimento on-line com as agências de turismo através da internet.

Durante os dias de realização do festival são apresentados cerca de 1200 artistas de todo o mundo, além do contato direto com a comunidade indígena que habita no local durante todo o resto do ano.
Este ano as organizações do UP CREW, junto a Prefeitura de Ituberá – BA, irá oferecer na sua 11ª edição, entre os dias, 28 de dezembro á 3 de Janeiro, 2 km de praia, 100 mil metros quadrados de área sombreada e água a vontade, cercados de belezas naturais.

“A intenção do festival somado á seleção de artistas renomados, com certeza é um diferencial para o público, e o mais interessante é que os nomes mais pops do festival apresentam sempre seu lado mais alternativo, havendo uma grande troca entre o público e o artista”, afirma Juarez Petrillo, um dos idealizadores das organizações UP CREW.

“Num festival consigo unir tudo que mais amo em uma viagem só: boa música, paisagens únicas, amizades eternas. Me sinto em casa num festival. Acho lindo demais toda a magia que envolve a todos no antes, durante e após um festival”, afirma Massi.

Benfeitoria musical

O ser humano que consegue extrair conteúdo das músicas que ouve transmite alegria no seu convívio, isto porque segundo a Kullock, dançar, gingar ou fazer qualquer movimento é essencial para o desenvolvimento humano. “Buscando o que você gosta, você exercita o corpo e a mente, transmitindo estímulos positivos para o corpo”, explica.

O mesmo acontece com a geração Z, nascida em meados dos anos 90, que vivenciam a multiplicidade de informação desde o nascimento, portanto, são influenciados por percepções ecológicas, sendo mais preocupados com o meio ambiente que as gerações anteriores, buscando locais que vão de encontro com seus ideais.

Uma das maiores preocupações das organizações UP CREW este ano é preparar e adaptar o local escolhido não somente para agradar o interesse musical do público, mas em oferecer também uma grande preocupação com o meio ambiente. “Este ano seremos avaliados pelo Green Awards, o selo de qualidade que avalia eventos que respeitam a questão ecológica pelo mundo todo. Trabalhar em harmonia com a natureza e fundamental para o festival”, completa Petrillo.

“Eu acredito em uma ideologia que envolve no meu estilo de vida a paixão pela música e de todos os envolvidos, na atenção dos organizadores em proporcionar um evento sempre cheio de muito simbolismo onde cada um pode interpretar de acordo com o que procura naquele momento em sua vida curtindo da melhor forma possível em total harmonia com a natureza”, Massi.

No entanto há organizações que faz pouco caso, apontando a temática envolvida como apenas alvo para atrair patrocinadores, e creem não surtir efeito significativo na sociedade após o término do evento. “Não tratamos o público com indiferença colocando temáticas sociais e conscientizadoras, isto é hipocrisia, é tratar o público como se ele não soubesse o que é certo e errado hoje em dia”, afirma Dallal.

Para Diérika Sobral, que frequenta festivais trance a 4 anos, estar em contato com a natureza é algo muito gratificante, pois foge do seu cotidiano atarefado na capital paulista. “A cada novo encontro consigo absorver algo de especial que vai além do contato pessoal, as oficinas ecológicas mudaram o meu modo de pensar, hoje tenho muito mais respeito com o Planeta Terra”.

Haight-Ashbury

Uma das esquinas mais hippies do mundo está localizada em São Francisco, na Califórnia, entre as ruas Haight e Ashbury, popularmente chamado de “The Haight”.

Esta área de imóveis e alugueis baratos foi povoada nos anos 60 com fama internacional do paraíso dos drogados, e habitat natural de músicos e grupos do rock´nroll psicodélico, e também como uma porta de entrada para o teatro de rua e todo tipo de cultura underground.

Ainda hoje é realizada a “Feira de Rua Haight-Ashbury”, onde a rua é fechada por dois palcos todo segundo domingo de junho para a realização de um mega evento bastante freqüentado e populoso, mantendo o ar característico boêmio.

Tô com saudade de uma coisa que eu não sei o que é

Pensando bem, eu deveria me dedicar mais ao meu blog mesmo. Escrever me causa uma sensação de nostalgia tão gostosa, não importa sobre o que seja. Afinal, os anos passam tão depressa que quando você menos se dá conta… ele realmente passou, e se você não seguiu a linha de tudo aquilo que você almejava para um futuro tão próximo, sinto lhe dizer, mas os anos passam realmente de pressa, e um dia vai bater uma saudade de tudo aquilo que você viveu, sendo eles bons momentos – ou não – é tipo uma sensação estranha que você não vai saber do que exatamente você sente falta.

Por isso eu resolvi escrever um e-mail, no qual pretendo receber só daqui a dez anos. Independente do quão ridícula eu pareça ser. Aliás, se eu fosse parar pra pensar no que eu me tornei desde os meus 14 anos (á dez anos atrás) eu descreveria essa época da minha vida como mais ou menos. Prefiro muito mais meu hoje. Não que eu não tenha aproveitado, aliás, aproveitei sim, bastante. Mas nada como estar no auge dos meus vinte e poucos anos. É a idade do tudo ou nada, anos onde tudo de mais marcante vai acontecer na sua vida, e tudo vida vira um parque de diversões, muitas emoções já diria Roberto Carlos.

Eu era sapeca, magrela, boca de lata, vira lata, vara de cutucar estrela, trave de gol, era cada uma que inventavam que imaginem só me zuavam tanto (sim me zuavam muito) que diziam até que eu limpava os fios da TV que chegava na casa dos vizinhos por dentro. Não que eu fosse tão magrela assim, mas simplesmente porque imagino que todos queriam tanto chamar a atenção da “menina dos olhos” (era assim que a minha BBF me chamava a Camila Bassi, tenho tantas saudades dela). Eu chamaria isso nos dias atuais de bulling, mas como naquela época isso não era moda enfeitar apelidos com nomes estrangeiros, eu me conformava com essas conotações ridículas mesmo.

Não tem como lembrar da Camila sem lembrar do nosso primeiro porre. Nosso não, o meu primeiro porre de vinho que ela teve que cuidar de mim. Eu nadava no mar verde (grama do quintal da minha casa). Dizia que ia me jogar da janela do quarto pra quicar no toldo debaixo dele e voar no vizinho. Hahahahah, que babaca, nunca tive coragem.

Mas saudades mesmo eu sinto das cartas imensas que escrevia ás minhas BBF´s – best friend forever. Teve ate um natal que gastei todo meu dinheiro em cartões pra enviar a todas minhas amigas, sem exceções (eram muitas) um Feliz Natal diferenciado, vejam só e pelo correio. Hoje em dia nem se usa mais esse trem. Tinha amiga que eu só me comunicava por carta, como foi o caso da Camila, da Bia (que reencontrei agora depois de 6 anos separadas) e da Mari. As outras escapuliram no túnel do tempo pra nunca mais.

Que pena que saiu de moda. Era muito mais divertido desenhar nos papéis de carta, botar pingos diferentes nos I´s, desenhar as inimigas, as professoras e até mesmo nossos pais que insistiam em negar tantas coisas (xiiu segredo? Coisa de adolescente, a gente sempre quer mais do que pode, eu sei… agora eu entendo) colar adesivos, juntar fotos e tranqueiras tudo num envelope só e ter o trabalho de ir até o correio só porque me lembrei de você amiga, isso sim é amor de irmã. Sem contar as amigas do colégio que tinham sempre um bilhete na manga pra animar a aula. Dessa época me lembro da Amanda – Mandy, da Mayara, da Milena, da Marjorie, da Luciana, da Talita, da Hilana – que acaba de dar a luz á Larinha linda, da Car Carrrrrrr , da Camila irmã da Carr, da Rê, da Ninna, da Amanda Pipoka, dos meus amigos roqueiros: Alex,  Cassio e Rodrigo que me levavam cd´s ótimos que eu curto até hoje. (Que saudades!).

A modernidade facilita o acesso à vida alheia, mas também tira o brilho da esperança de receber uma resposta daquela carta linda que eu muito me esforcei pra chegar justamente no dia do seu aniversário. É tinha essa ainda, pra chegar no dia era preciso fazer as contas e rezar pro correio não atrasar.

E minhas primas. Essas foram e são presentes até hoje. A gente dividia tudo desde a escova de cabelo até as váaarias bonecas e brinquedos que a gente tinha. Não tinha essa de criança mimada que quer ter tudo só pra si. Era chegar uma data de ganhar presentes e a gente já se organizava pra pedir coisas diferentes pra ter de tudo um pouco. E quando inventamos de querer patins. Nossa, imagine um joelho que sofreu. O meu. Eu já era tudo aquilo que eu citei acima – vara de cutucar estrela, boca de lata, o cão chupando manga (brincadeira) – andar com o joelho estourado não era nada além do normal. E os furúnculos imensos que a minha pele insistia em adotar como seus e de mais ninguém? Pois é, atrás disso ainda vinha piolhos e lêndeas, mas isso eu deixo pro próximo post.

Só pra relembrar minha banda predileta desde esses tempos de menina, boca de lata que tem tudo a ver. Boa noite.


Um carro a menos nas ruas

Experimente fugir do trânsito de São Paulo com uma sensação de liberdade que só a bike pode te proporcionar

Por Carolina Mendes

Pode parecer irreal, excêntrico ou coisa de atleta, mas está se tornando cada vez mais comum utilizar a “magrela” – forma como a bicicleta é conhecida entre os ciclistas –  como uma efetiva alternativa de transporte para se locomover de casa para o trabalho ou até mesmo para se divertir nos finais de semana.

Espalhados por todas as regiões da cidade, há diversos grupos de ciclistas com propostas que partem do desejo de fortalecer e divulgar o hábito de pedalar, além de proporcionar mais segurança para quem está se iniciando na aventura de transitar de bicicleta no caótico trânsito paulistano.

 Grupos de Ciclistas

“Sempre haverá alguém mais experiente para ajudá-lo caso você tenha um problema mecânico ou aconteça algum acidente. Pedalar em grupo pode ajudar o ciclista iniciante a perder o receio de circular sozinho nas ruas e a descobrir como resolver pequenos problemas que podem ocorrer pelo caminho”, indica Willian Cruz, analista de sistemas e idealizador do site Vá de Bike, especializado em informações para quem faz da bicicleta seu principal meio de transporte.

Solidariedade sobre duas rodas

Absolutamente inovador, o projeto Bike Anjo é um exemplo dessa solidariedade que une ciclistas experientes e iniciantes. Organizado inicialmente na cidade de São Paulo, o grupo conta hoje com mais de 200 voluntários espalhados por 17 cidades do Brasil, prontos para auxiliar quem está começando a pedalar. “Quando marcamos um acompanhamento com iniciantes, aconselhamos realizar o trajeto do trabalho durante o fim de semana, assim, conseguimos tempo para descansar, sinalizar e adquirir confiança”, afirma João Paulo Amaral, consultor de empresas e um dos fundadores e organizadores do projeto.

Uso diário exige cuidados básicos

Verônica Mambrini, jornalista do portal IG, há três anos utiliza a bike e, progressivamente, foi perdendo o hábito de dirigir para aderir somente à praticidade da bicicleta. “De carro num dia caótico de trânsito e chuva levo até uma hora e meia para chegar ao trabalho. De bike são 25 minutos, pedalando num ritmo tranquilo, até porque já vou maquiada e com roupa de trabalho – vestidos, meia calça, salto, e assim chego sem suar, pronta para ir para minha mesa começar o dia”.

Há mais de 10 anos utilizando a bike como principal meio de transporte, Willian Cruz ensina que garantir o máximo de visibilidade é um dos principais quesitos da segurança para quem pedala. “Ver e ser visto, sinalizar suas intenções, ocupar a faixa para impor seu direito de circulação, evitar grandes avenidas e manter atenção nos veículos ao seu redor são ações que podem evitar situações de risco”, previne. O ciclista recomenda ainda o uso do capacete e de luvas, principalmente para iniciantes, já que no inicio, a possibilidade de cair é bem maior.

Os ciclistas e os táxis

João Paulo Amaral destaca ainda a importância dos táxis na rotina de quem utiliza a bicicleta nas diversas atividades do dia a dia. “Muitos ciclistas, quando não estão de bike, vão de táxi! Eu mesmo não tenho carro e, amanhã, terei que transportar muita bagagem. Pegarei um táxi para isso”.

Opinião semelhante é partilhada pela jornalista Verônica Mambrini, que aposta na crescente aceitação dos taxistas em relação às bikes.  “Sempre que um taxista permite que eu leve a bicicleta no porta-malas, viro fã e cliente fiel.

Desmontando as rodas, ela cabe no porta-malas e, em situações de emergência, facilita muito poder contar com táxis para voltar para casa”, finaliza Verônica.

Alguns sites relacionados

WDE – http://wde.com.br/bike/passeios.htmm
Bike anjo – http://bikeanjo.wordpress.com
Vá de Bike – www.vadebike.org
Starbikers – www.starbikers.pre.nom.br
Night Biker’s Club – www.nightbikers.com

E aquela famosa luz no fim do túnel

Por Carol Mendes

Faz algum tempo não dou o ar da graça no meu cantinho onde tudo posso. Por muitas vezes me pego com uma imensa vontade de libertar umas ideias da caxola, mas infelizmente não pensei que um dia pudesse dizer isso, mas não tenho tempo pra mais nada, 24 horas tem sido pouco para o meu dia. Como me encantaria colocar em prática tudo que se passa pela minha cabeça, planos não faltam, as ideias andam férteis, pensamentos que atropelam pensamentos, um turbilhão de emoções que vão e vem, chega até a dar choque quando uma boa ideia vai de encontro com uma não tão boa ideia, pois é, vira uma confusão danada, que as vezes somente Carol Mendes mesmo pra entender, e se é que ela entende…

Um dia me disseram que sempre quando acontecerem 3 coisas ruins, pelo menos uma boa aconteceria. Pois eu aguardo ansiosamente por ela!!!!!

Na semana passada me ligaram de uma clinica estética dizendo que eu havia ganhado uma massagem relaxante, pensei: será que eu uso meu único dia de folga da semana que vem pra curtir algo novo? Tudo ia bem, na mais divina paz, mas também não hesitei em negar e sim topei o presente que vinha de uma indicação de um amigo, e reservei um horário. Mal sabia eu que um dia antes do grande dia eu receberia uma noticia não tão agradável, a dispensa de um emprego! Não tão agradável o @#$%¨&*, péssima noticia pra quem tem uma par de contas pra pagar no final do mês. Mas enfim, esses dias um dia chegam, e não te mandam aviso prévio.

Eu nunca fui lá aquelas choronas que lamentam o leite derramado, ou que vivem chorando as pitangas, mas não é lá uma noticia pra se celebrar. No dia seguinte, acordo já recuperada e super animada para a massagem, nunca pensei que ela seria tão bem vinda. Visto aquela roupa de levantar o astral, batom nos lábios pra dar aquele up, perfume importado pra eu me sentir desejada e “rycah y fynah” e lá vou eu pra mais um dia de estágio. Penso hora pós hora na tão aguardada massagem que me havia aparecido de bandeja, e as horas pareciam não colaborar, não passavam de jeito nenhum. Mas uma hora haveria de chegar e eu fui paciente quanto a isso, afinal de contas de que me adiantaria querer correr contra o relógio, nada mais poderia dar errado, uma massagem é uma massagem, e ela tem como por obrigação te relaxar.

Era o que eu pensava, quando me estressei por uma hora  no trânsito de São Bernardo ao começinhooo de Santo André, e atrasei 20 minutos do horário combinado. Ao me deparar com a moça da recepção logo imaginei o que ela diria, que eu estava atrasada, se não podia voltar outro dia, mas eu já tinha meus argumentos na ponta da lingua, e quando ela realmente disse o que eu imaginava eu não só não acreditei como soltei aquele.. OUTRO DIA??!!!! Eu com toda aquela expectativa de refúgio para aliviar um pouco do meu stress acumulado e ela me pede pra voltar outro dia??? Eu sei que ela estava fazendo o trabalho dela, e que a massagem grátis duraria somente meia hora, afinal de contas é uma demostração, e que eu atrasaria a próxima felizarda, mas…

“Eu preciso dessa massagem HOJE moça, você não ta entendendo!” , e após tantas explicações ela afinal de contas entendeu o que eu estava dizendo sem eu precisar desenhar, e resolveu verificar com a próxima cliente se ela realmente viria. Imediatamente meus dedos se voltaram para tras do meu corpo como se automaticamente fizessem figas, sem o meu comando.

E não é que deu certo???? A próxima cliente tinha esquecido !!!!!

Senti como se alguém muito poderoso, capaz de mover montanhas estivesse ao meu lado, me confortando das dificuldades e me presenteando com bons momentos, mesmo eu nunca aprendendo a chegar no horário ou por vezes desconfiando da sua capacidade de existência. Meus passos são devidamente calculados, e eu confio nos caminhos tortos que Ele me mete.

Entrei na sala de massagem, pequena, aconchegante, com meia luz, um som ambiente que me transmitia uma paz de espirito, e senti como se tudo estivesse em perfeita harmonia, exatamente como eu esperava. Me despi por completo e deitei de bruço na maca como me haviam indicado. Logo fixei uma ideia que estampava a parede branca da sala: MUDE DE OPINIÃO: PENSE EM NOVAS POSSIBILIDADES. E do outro lado dizia: Chore com vontade, viva a vida, viaje muito!

Eu pensei em relaxar o corpo e quando me dei conta, estava relaxada por completa, de corpo e mente. Quando me deparei com aquelas palavras na parede parei pra pensar na imensidão de outras coisas no qual tenho me planejado a anos e nunca me dou conta do quanto elas me são importantes, e eu as ignoro.

Eu amo escrever, é algo que me dá prazer. E buscar algo que te desestresse é uma  prática diária consigo mesma, ninguem te ensina. As vezes o que é divertido pra você, pode não ser pra mim. É errando que se aprende, não foi isso que nos ensinaram a vida inteira? Pois bem, nunca se esqueça disso. Faça o que te alegra, ninguem vai pensar mais em você do que você mesma. Atente-se a detalhes do dia a dia, ás vezes o Cara lá de cima tem algo importante pra te dizer que pode mudar o rumo das coisas. Saia um pouco da rotina, da companhia dos seus amigos, da sua familia ou de quem quer que seja, escute no seu interior o que Ele tem a dizer. Sabe aquela famosa luz no fim do túnel? Sim ela existe, eu garanto !!

Entra quem quer, ou quem se atreve…

Hopi Hari

Uma das sensações mais intensas e pertubadoras que se pode experimentar, neste nosso mundo atual, é um passeio na montanha-russa. Só não é nem um pouco recomendável para quem tenha problemas com os nervos ou o coração, nem para aqueles com o sistema digestivo sensível. A própria decisão de entrar na brincadeira já requer alguma coragem, a gente sabe que a emoção pode ser forte até demais e que podem decorrer consequencias imprevisíveis. Entra quem quer ou quem se atreve, mas sabe-se também que muita gente entra forçada por amigos e pessoas queridas, meio que contra vontade, pressionada pela vergonha de manifestar sentimentos de prudência ou o puro medo. Mas, uma vez que se entra, que se aperta a trava de segurança e a geringonça se põe em movimento, a situação se torna irremediável. Bate um frio na barriga, o corpo endurece, as mãos cravam nas alças do banco, a respiração se torna cada vez mais difícil e forçada, o coração descompassa, um calor estranho arde no rosto,  nas orelhas, ondas de arrepio descem do pescoço pela espinha abaixo.

A primeira fase até que é tranquila, a coisa se põe a subir num ritmo controlado, seguro, previsível. A gente vai se acostumando, o corpo começa a distender, aos poucos está gostando, vai achando o máximo ver primeiro o parque, depois o bairro, depois a cidade toda de uma perspectiva superior, dominante, se estendendo ao infinito. Aquilo é ótimo, a gente se sente feliz como nunca, poderosa, sobrevoando olimpicamente a multidão de formiguinhas hiperativas se mexendo lá embaixo, presas em suas rotinas, ocupações e movimentos triviais. A subida continua sem parar, no mesmo ritmo consistente, assegurado, forte; descobrimos que o céu aberto é sem limites, bate uma euforia que nos faz rir descontroladamente, nunca havíamos imaginado como é fácil abraçar o mundo; estendemos os braços, estufamos o peito, esticamos o pescoço, fazemos bico com os lábios para beijar o céu e…

… e de repente o mundo desaba e leva a gente de cambulhada. É o terror mais total. Não se pode nem pensar em como fazer para sair dali porque o cérebro não reage mais. O pânico se incorpora a cada célula e extravasa por todos os poros da pele. Não é que não se consiga pensar, não se consegue sentir também. Nos transformamos numa massa energética em espasmo crítico, uma síndrome viva de vertigem e pavor, um torvelinho de torpor e crispação. É o caos, é o fim, é o nada. Até que chega o solavanco de uma nova subida, não mais precisa e reconfortante como a primeira, agora mais um tranco que atira a gente para diante e para trás, um safanão curto e grosso que ao menos dá a sensação de um baque de volta á realidade.

Tolo engano: novo mergulho fatal, desta vez oscilando para a direita e para esquerda, como se a gente fosse entrar em parafuso. O corpo se esmaga contra a barra de segurança, que a essa altura parece vergar como um galhinho verde e frágil, o mundo ao redor se precipita em avalanche contra nós, se vingando do olhar arrogante com que ainda há pouco havia sido menosprezado. Suor frio, completo descontrole sobre as secreções e os fluxos hormonais, lágrimas espontâneas, baba viscosa que começa a espumar nos cantos da boca, os olhos saltam das órbitas, todos os pêlos do corpo de pé, espetados como agulhas.

Mais um tranco seco e uma subida aos solavancos. Nem um instante e já mergulhamos no precipício outra vez. Agora o carro chacoalha para os lados e arremete em curvas impossíveis, é total a certeza de que aquilo vai voar dos trilhos, catapultando pelo espaço até se arrebentar longe dali. Outro baque de subida, nem o tempo de piscar e a queda livre que enche as vísceras de vácuo e faz o coração saltar pela boca. E agora, meu Deus, o loop…! Aaaaaaahhhhhhhh….!!!!!! Rodamos no vazio como um ioiô cósmico, um brinquedo fútil dos elementos, um grão de areia engolfado na potência geológica de um maremoto. Nada mais nos assusta. Ao chegar ao fim, desconfigurados, descompostos, estupefatos, já assimilamos a lição da montanha-russa: compreendemos o que significa estar exposto ás forças naturais e históricas agenciadas pelas tecnologias modernas. Aprendemos os riscos implicados tanto em se arrogar o controle dessas forças, quanto em deixar-se levar de modo apatetado e conformista por elas. O que não nos impede de suspeitar das intenções de quem inventou essa traquitana diabólica.

A corrida para o século XXI – No loop da montanha-russa ( Nicolau Sevcenko)

Carol Mendes