E aquela famosa luz no fim do túnel

Por Carol Mendes

Faz algum tempo não dou o ar da graça no meu cantinho onde tudo posso. Por muitas vezes me pego com uma imensa vontade de libertar umas ideias da caxola, mas infelizmente não pensei que um dia pudesse dizer isso, mas não tenho tempo pra mais nada, 24 horas tem sido pouco para o meu dia. Como me encantaria colocar em prática tudo que se passa pela minha cabeça, planos não faltam, as ideias andam férteis, pensamentos que atropelam pensamentos, um turbilhão de emoções que vão e vem, chega até a dar choque quando uma boa ideia vai de encontro com uma não tão boa ideia, pois é, vira uma confusão danada, que as vezes somente Carol Mendes mesmo pra entender, e se é que ela entende…

Um dia me disseram que sempre quando acontecerem 3 coisas ruins, pelo menos uma boa aconteceria. Pois eu aguardo ansiosamente por ela!!!!!

Na semana passada me ligaram de uma clinica estética dizendo que eu havia ganhado uma massagem relaxante, pensei: será que eu uso meu único dia de folga da semana que vem pra curtir algo novo? Tudo ia bem, na mais divina paz, mas também não hesitei em negar e sim topei o presente que vinha de uma indicação de um amigo, e reservei um horário. Mal sabia eu que um dia antes do grande dia eu receberia uma noticia não tão agradável, a dispensa de um emprego! Não tão agradável o @#$%¨&*, péssima noticia pra quem tem uma par de contas pra pagar no final do mês. Mas enfim, esses dias um dia chegam, e não te mandam aviso prévio.

Eu nunca fui lá aquelas choronas que lamentam o leite derramado, ou que vivem chorando as pitangas, mas não é lá uma noticia pra se celebrar. No dia seguinte, acordo já recuperada e super animada para a massagem, nunca pensei que ela seria tão bem vinda. Visto aquela roupa de levantar o astral, batom nos lábios pra dar aquele up, perfume importado pra eu me sentir desejada e “rycah y fynah” e lá vou eu pra mais um dia de estágio. Penso hora pós hora na tão aguardada massagem que me havia aparecido de bandeja, e as horas pareciam não colaborar, não passavam de jeito nenhum. Mas uma hora haveria de chegar e eu fui paciente quanto a isso, afinal de contas de que me adiantaria querer correr contra o relógio, nada mais poderia dar errado, uma massagem é uma massagem, e ela tem como por obrigação te relaxar.

Era o que eu pensava, quando me estressei por uma hora  no trânsito de São Bernardo ao começinhooo de Santo André, e atrasei 20 minutos do horário combinado. Ao me deparar com a moça da recepção logo imaginei o que ela diria, que eu estava atrasada, se não podia voltar outro dia, mas eu já tinha meus argumentos na ponta da lingua, e quando ela realmente disse o que eu imaginava eu não só não acreditei como soltei aquele.. OUTRO DIA??!!!! Eu com toda aquela expectativa de refúgio para aliviar um pouco do meu stress acumulado e ela me pede pra voltar outro dia??? Eu sei que ela estava fazendo o trabalho dela, e que a massagem grátis duraria somente meia hora, afinal de contas é uma demostração, e que eu atrasaria a próxima felizarda, mas…

“Eu preciso dessa massagem HOJE moça, você não ta entendendo!” , e após tantas explicações ela afinal de contas entendeu o que eu estava dizendo sem eu precisar desenhar, e resolveu verificar com a próxima cliente se ela realmente viria. Imediatamente meus dedos se voltaram para tras do meu corpo como se automaticamente fizessem figas, sem o meu comando.

E não é que deu certo???? A próxima cliente tinha esquecido !!!!!

Senti como se alguém muito poderoso, capaz de mover montanhas estivesse ao meu lado, me confortando das dificuldades e me presenteando com bons momentos, mesmo eu nunca aprendendo a chegar no horário ou por vezes desconfiando da sua capacidade de existência. Meus passos são devidamente calculados, e eu confio nos caminhos tortos que Ele me mete.

Entrei na sala de massagem, pequena, aconchegante, com meia luz, um som ambiente que me transmitia uma paz de espirito, e senti como se tudo estivesse em perfeita harmonia, exatamente como eu esperava. Me despi por completo e deitei de bruço na maca como me haviam indicado. Logo fixei uma ideia que estampava a parede branca da sala: MUDE DE OPINIÃO: PENSE EM NOVAS POSSIBILIDADES. E do outro lado dizia: Chore com vontade, viva a vida, viaje muito!

Eu pensei em relaxar o corpo e quando me dei conta, estava relaxada por completa, de corpo e mente. Quando me deparei com aquelas palavras na parede parei pra pensar na imensidão de outras coisas no qual tenho me planejado a anos e nunca me dou conta do quanto elas me são importantes, e eu as ignoro.

Eu amo escrever, é algo que me dá prazer. E buscar algo que te desestresse é uma  prática diária consigo mesma, ninguem te ensina. As vezes o que é divertido pra você, pode não ser pra mim. É errando que se aprende, não foi isso que nos ensinaram a vida inteira? Pois bem, nunca se esqueça disso. Faça o que te alegra, ninguem vai pensar mais em você do que você mesma. Atente-se a detalhes do dia a dia, ás vezes o Cara lá de cima tem algo importante pra te dizer que pode mudar o rumo das coisas. Saia um pouco da rotina, da companhia dos seus amigos, da sua familia ou de quem quer que seja, escute no seu interior o que Ele tem a dizer. Sabe aquela famosa luz no fim do túnel? Sim ela existe, eu garanto !!

Entra quem quer, ou quem se atreve…

Hopi Hari

Uma das sensações mais intensas e pertubadoras que se pode experimentar, neste nosso mundo atual, é um passeio na montanha-russa. Só não é nem um pouco recomendável para quem tenha problemas com os nervos ou o coração, nem para aqueles com o sistema digestivo sensível. A própria decisão de entrar na brincadeira já requer alguma coragem, a gente sabe que a emoção pode ser forte até demais e que podem decorrer consequencias imprevisíveis. Entra quem quer ou quem se atreve, mas sabe-se também que muita gente entra forçada por amigos e pessoas queridas, meio que contra vontade, pressionada pela vergonha de manifestar sentimentos de prudência ou o puro medo. Mas, uma vez que se entra, que se aperta a trava de segurança e a geringonça se põe em movimento, a situação se torna irremediável. Bate um frio na barriga, o corpo endurece, as mãos cravam nas alças do banco, a respiração se torna cada vez mais difícil e forçada, o coração descompassa, um calor estranho arde no rosto,  nas orelhas, ondas de arrepio descem do pescoço pela espinha abaixo.

A primeira fase até que é tranquila, a coisa se põe a subir num ritmo controlado, seguro, previsível. A gente vai se acostumando, o corpo começa a distender, aos poucos está gostando, vai achando o máximo ver primeiro o parque, depois o bairro, depois a cidade toda de uma perspectiva superior, dominante, se estendendo ao infinito. Aquilo é ótimo, a gente se sente feliz como nunca, poderosa, sobrevoando olimpicamente a multidão de formiguinhas hiperativas se mexendo lá embaixo, presas em suas rotinas, ocupações e movimentos triviais. A subida continua sem parar, no mesmo ritmo consistente, assegurado, forte; descobrimos que o céu aberto é sem limites, bate uma euforia que nos faz rir descontroladamente, nunca havíamos imaginado como é fácil abraçar o mundo; estendemos os braços, estufamos o peito, esticamos o pescoço, fazemos bico com os lábios para beijar o céu e…

… e de repente o mundo desaba e leva a gente de cambulhada. É o terror mais total. Não se pode nem pensar em como fazer para sair dali porque o cérebro não reage mais. O pânico se incorpora a cada célula e extravasa por todos os poros da pele. Não é que não se consiga pensar, não se consegue sentir também. Nos transformamos numa massa energética em espasmo crítico, uma síndrome viva de vertigem e pavor, um torvelinho de torpor e crispação. É o caos, é o fim, é o nada. Até que chega o solavanco de uma nova subida, não mais precisa e reconfortante como a primeira, agora mais um tranco que atira a gente para diante e para trás, um safanão curto e grosso que ao menos dá a sensação de um baque de volta á realidade.

Tolo engano: novo mergulho fatal, desta vez oscilando para a direita e para esquerda, como se a gente fosse entrar em parafuso. O corpo se esmaga contra a barra de segurança, que a essa altura parece vergar como um galhinho verde e frágil, o mundo ao redor se precipita em avalanche contra nós, se vingando do olhar arrogante com que ainda há pouco havia sido menosprezado. Suor frio, completo descontrole sobre as secreções e os fluxos hormonais, lágrimas espontâneas, baba viscosa que começa a espumar nos cantos da boca, os olhos saltam das órbitas, todos os pêlos do corpo de pé, espetados como agulhas.

Mais um tranco seco e uma subida aos solavancos. Nem um instante e já mergulhamos no precipício outra vez. Agora o carro chacoalha para os lados e arremete em curvas impossíveis, é total a certeza de que aquilo vai voar dos trilhos, catapultando pelo espaço até se arrebentar longe dali. Outro baque de subida, nem o tempo de piscar e a queda livre que enche as vísceras de vácuo e faz o coração saltar pela boca. E agora, meu Deus, o loop…! Aaaaaaahhhhhhhh….!!!!!! Rodamos no vazio como um ioiô cósmico, um brinquedo fútil dos elementos, um grão de areia engolfado na potência geológica de um maremoto. Nada mais nos assusta. Ao chegar ao fim, desconfigurados, descompostos, estupefatos, já assimilamos a lição da montanha-russa: compreendemos o que significa estar exposto ás forças naturais e históricas agenciadas pelas tecnologias modernas. Aprendemos os riscos implicados tanto em se arrogar o controle dessas forças, quanto em deixar-se levar de modo apatetado e conformista por elas. O que não nos impede de suspeitar das intenções de quem inventou essa traquitana diabólica.

A corrida para o século XXI – No loop da montanha-russa ( Nicolau Sevcenko)

Carol Mendes